05-02-2010

Criando uma cultura de combate à corrupção

Governos de todo o mundo estão aperfeiçoando sua legislação contra a corrupção. Organizações nacionais e internacionais têm se aliado para estabelecer medidas efetivas capazes de combater a prática. É nesse contexto que o Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea) resolveu implementar o movimento de combate à corrupção no setor tecnológico também no Brasil. O movimento será inaugurado no dia 22 de fevereiro, durante a realização do Encontro de Lideranças do Sistema Confea/Crea, em Brasília.
Numa perspectiva história e no contexto da corrupção em sentido amplo, um dos exemplos da luta contra essa prática ocorreu com a Convenção das Nações Unidas. Assinada por mais de 140 países, entrou em vigor em dezembro de 2005 e requeria, entre outros aspectos, o desenvolvimento, a implementação e a manutenção de políticas anticorrupção; a criação de sistemas transparentes e competitivos de contratação pública; e a criminalização do suborno, tráfico de influência, peculato, abuso de poder, enriquecimento ilícito e lavagem de dinheiro.
No âmbito específico do setor tecnológico, a Federação Mundial de Organizações de Engenharia (WFEO/FMOI) tem sido referência. A instituição reúne organizações de Engenharia de mais de 100 países e representa cerca de 16 milhões de engenheiros de todo o mundo. A fim de chegar a um acordo sobre as ações de corrupção, foi responsável pela criação de um Comitê Internacional Permanente de Anticorrupção. O eng. civil Kamel Ayadi, ex-presidente da Federação, foi um dos iniciadores do movimento. Entre outras funções, ele já foi também senador e ex-ministro da Túnisia, além de presidente da Ordem dos Engenheiros daquele país.
Segundo Ayadi, o movimento de combate à corrupção na Engenharia começou em 2005, na Assembleia Geral da FMOI, em Porto Rico. Na época, foi criada uma Força de Trabalho que, em 2007, foi transformada em Comitê Permanente, sob a sua coordenação. Desde então, o Comitê tem realizado workshops, sendo que um deles ocorreu durante o Congresso Mundial de Engenheiros (WEC 2008), organizado pelo Confea. Outros tiveram sede em países da África, da Ásia, da América do Sul.
“Nossa ideia é discutir como identificar corrupção e como prevenir a corrupção, tanto no setor público quanto privado. A idéia é treinar pessoas para ficarem capazes de criar uma nova cultura anticorrupção. Essa é a nossa principal atividade”, afirma Ayadi. De acordo com ele, segundo a “Transparência Internacional” (TI) - instituição responsável pela divulgação do Índice de Percepção de Corrupção e do Índice de Pagadores de Suborno -, cerca de U$ 5 trilhões são perdidos por causa da corrupção na Engenharia no mundo, o que corresponde a 10% dos projetos de infraestrutura.
Fonte: Tânia Carolina Machado - Assessoria de Comunicação do Confea



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