Palavra do Presidente


Eng.º Carlos Roberto dos Santos Moura - Presidente

Recentemente, ao abordarmos a questão da valorização profissional do engenheiro, concluímos ser imprescindível o fortalecimento das suas entidades representativas.

Precisamos, preliminarmente, esclarecer que o Confea e os Conselhos Regionais, apesar de constituídos por profissionais escolhidos por seus pares, são autarquias governamentais e, como tal, representantes da sociedade brasileira.

As associações classistas caracterizam-se pelo princípio da livre adesão. Nenhum profissional é obrigado a se filiar. É preciso distinguir, porém, duas categorias de associações classistas: os sindicatos, aos quais o engenheiro, mesmo não associado, precisa pagar o imposto sindical, que vem a ser uma contribuição anual obrigatória; e as entidades representativas, que
recebem apenas as contribuições voluntárias de seus associados.

Os sindicatos têm a missão institucional de zelar pelos interesses trabalhistas do engenheiro assalariado. As entidades de classe, representativas dos engenheiros, defendem os seus interesses difusos e representam todos os profissionais associados, sejam eles empregados, empregadores ou autônomos.

Dessas últimas é que depende, fundamentalmente, o engrandecimento da engenharia e a valorização do engenheiro. Já verificamos, anteriormente, a fortíssima interação entre o fortalecimento das empresas de engenharia, abrangendo todos os seus ramos: consultoria e projetos, construção civil e indústrias, em geral, e a valorização dos engenheiros, de todas as modalidades. Essa é a razão por que a cooperação entre as entidades representativas dos engenheiros e as empresas de engenharia pode ser altamente benéfica para ambas as partes.

A parceria entre as empresas e as associações de engenheiros deve ser feita diretamente, de forma independente das associações patronais (sindicatos da indústria da construção civil e outras associações de empresas de engenharia). Essas entidades representam as empresas em dissídios trabalhistas e outros assuntos de interesse direto e imediato das referidas empresas. A união de esforços proposta visa a outros fins menos imediatistas, mais sólidos, por serem duradouros e altamente favoráveis sob o aspecto da boa imagem empresarial.

As empresas construtoras destinam recursos substanciais para apoio a candidatos em campanhas eleitorais. Há algum tempo atrás, ouvi de um colega, realizador de grandes obras públicas, que se sentia constrangido ao ser qualificado como empreiteiro, em virtude da conexão, quase automática, que se fazia com corrupção governamental. É verdade que, nos últimos tempos, as empresas de publicidade, comunicação social e informática, passaram a predominar no noticiário jornalístico sobre os escândalos de contratos superfaturados. Entretanto, de acordo com dados oficiais dos partidos políticos encaminhados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), as empreiteiras de obras foram as principais financiadoras, em 2009, dos maiores partidos (PT, PSDB, PMDB e DEM), responsáveis por 68% das doações.

É claro que sempre existe uma correlação entre as contribuições e os contratos obtidos. Esse é, entretanto, um ganho fugaz, que nada representa para o engrandecimento da engenharia brasileira. Ao contrário, é prejudicial sob o enfoque internacional. A nossa proposição é que, em vez de financiar candidatos a cargos políticos, as empresas de obras e projetos passem a efetuar parcerias com as entidades de classe, visando à promoção de eventos e campanhas de seu interesse: divulgação de novas tecnologias, propaganda técnica de produtos, apresentação de obras realizadas e outros assuntos que podem valorizar, efetivamente, a capacidade empresarial e o seu quadro técnico.

Seria, sem dúvida, menos dispendioso e os ganhos institucionais, mais duradouros. Porém, para se implantar uma medida revolucionária como essa, seria necessário um grande acordo ético entre as empreiteiras de porte para que nenhuma delas fizesse doações de vulto para qualquer candidato ou partido. Ou seja, estamos propondo um “combinemo” do bem, que seria extremamente salutar para a engenharia brasileira e para a política nacional.
 
 

Eng.º Carlos Roberto dos Santos Moura
Presidente


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